Esta aí em cima, senhoras e senhores, é Marjane Satrapi. Conhece? No Brasil são poucas que a conhecem. Talvez fora também. Ela ganhou projeção com o filme "Persépolis", que foi até indicado ao Oscar de Melhor Animação. Não, ela não é uma atriz famosa de Hollywood que fez a voz de uma personagem. Ela escreveu uma série de livros autobiográficos que depois viraram este belíssimo filme, "Persépolis".
Marjane é iraniana, nasceu numa família aristocrata mas com ideais de esquerda. Com a revolução fundamentalista muitos de sua família foram perseguidos e seu tio querido, executado por ser do partido comunista. Ela então, com 14 anos, foi pra Europa terminar o ensino médio. E aí foi pipocando pra vários lugares porque em nenhum ela se sentia muito em casa. Nem em casa.
Um trecho de entrevista que encontrei no www.universohq.com :
"Ou as pessoas gostam de escrever ou elas gostam de desenhar. A gente gosta das duas coisas. Nós somos os bissexuais da cultura. As pessoas não acham que é um problema se você é um homossexual ou se você é heterossexual, mas se você é bissexual elas têm um problema com você".
Então fica aí a dica, pra quem quiser conhecer a História de Marjane Satrapi:
Persepolis - Completo
Autor: SATRAPI, MARJANE
Tradutor: WERNECK, PAULO
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
e o filme, Persépolis também. ;)
Já que eu proponho que outras pessoas o façam, pensei que eu devia também fazer. E vamos lá:
Meu nome completo é gigantesco, então eu passei a abreviar pra Marília Moschkovich que, pelo trabalho de soletrar, virou Mari Moscou. Nasci em 10 de Novembro (não conto o ano; muito fácil pra vocês né?), com sol em escorpião e ascendente em leão. Quando nasci já tinha um irmão mais velho. Esse irmão mordeu meu pé assim que cheguei em casa, tamanha a ciumeira.
Aprendi a ler e escrever bem rápido, porque queria mesmo era ler todos os livros e gibis que tinha em casa e inventar os meus também. [Viva a internet e vivam os blogs!] Sempre gostei muito de música e adoro rock and roll clássico.
Nasci numa família de mulheres. Minha mãe tem quatro irmãs e só dois irmãos. Minhas duas avós eram as matriarcas e os homens sempre acabavam caindo fora uma hora ou outra. Talvez a minha curiosidade e fascínio pelas mulheres venha daí. Não sei. Só acho fantástico como somos fortes, como lutamos, como construimos, quão heroínas somos todos os dias, apesar de muito pouco reconhecimento. E bora brigar pelo reconhecimento, então!
Quando eu tinha 14 anos estava voltando pra casa da escola com minha irmã. Por um desastre do destino ela foi atropelada. [ela é uns 4 anos mais nova] Parei o trânsito e carreguei ela com a ajuda de um senhor que era cardiologista e fazia seu cooper vespertino, até a calçada. Quem dirigia o carro era uma mulher, que logo saiu pra reclamar do retrovisor, enquanto eu - também uma criança - ligava pro resgate e pra minha avó, que morava pertinho. Estava tudo bem, exceto pela perna dela. Entrei com ela e os bombeiros no carro do resgate pra irmos até o HC. Chegando lá, não demorou e minha mãe chegou, ajudada por uma amiga do trabalho. Nessas horas, são sempre as mulheres...
Depois de cirurgias e fisioterapia, minha irmã ficou bem ok e não tem mais problemas na perna. Mas livrar-me da culpa foi bem difícil. Um processo terapêutico longo, que só explodiu quando eu já tinha 20 anos de idade.
Também tive um grande amigo, Julio, que faleceu quando eu tinha 16 anos. Acho que isto pra mim foi um dos fatos que mudou bastante a minha vida. Fazíamos praticamete tudo juntos na escola e, de repente, ele não estava mais lá. Doeu. Pra caralho. E só melhorou a dor quando acabou a escola.
Aí me mudei pra Campinas pra estudar. Fui morar sozinha e aprendi mais um bilhão de coisas - tipo que cuidados ter pra alugar uma casa, como se processa alguém ou as técnicas mais eficientes de carregar compras no ônibus. Fora as coisas de ciências sociais que acabei aprendendo, digamos, por estar na universidade fazendo este curso! :)
Desde sempre trabalhei com terceiro setor, movimentos sociais, gênero e feminismo e com educação. Comecei a dar aula aos 16 pra ganhar uma graninha e não depender de mami e papi pra algumas coisas. Fiz pesquisa em sociologia da educação, em educação e desigualdade. Viajei pra todos os continentes do mundo pelo menos uma vez. Acho que só falta a Oceania na verdade. Mas até que já fui perto, na Coréia do Sul.
Hoje estou de volta em São Paulo, ainda me acostumando em conviver com minha mãe, irmã e meu irmão (o irmão que mordeu meu pé morou por três anos na Rússia, o que às vezes facilitou nosso amor fraterno de florescer) de novo. Tenho um pedaço de papel que diz que estou apta para analisar a sociedade em várias esferas, apesar de ninguém achar que isso me dá uma noção mais complexa dos problemas sociais (mas dá viu? ô se dá). E tenho um outro que diz que posso ensinar isso pra adolescentes do Ensino Médio, mas as escolas preferem continuar pagando os antigos profs de história para fazer o meu trabalho. Então continuo ganhando a vida a dar aulas de inglês. Pelo menos por enquanto e, velho, tenho aprendido demais.
Se não for pra aprender algo, nem vale a pena trabalhar. Este é um dos meus lemas. [que inventei agora, claro]
E continuo correndo pra mudar o mundo. Este blog, assim como outros, são algumas das minhas tentativas individuais. E tem as coletivas também, que dá pra acompanhar melhor seguindo outros blogues meus.
Esta é mais ou menos a minha história, pelo menos até hoje, o dia que criei este blog, "A História das Mulheres". E você? Onde estava antes disso? E pra onde vai agora?
PERROT, Michelle, "Minha História das Mulheres".
2007. Ed. Contexto. São Paulo, SP.
SATRAPI, Marjane, "Persepolis - Completo". Trad. Paulo Werneck. Cia das Letras, São Paulo, SP.
Queremos a SUA história.
Contamos Histórias Sobre...
Histórias Passadas:
Autoras
- Mari Moscou
- cientista social, backpacker, escritora, cinéfila e feminista.
